Qui, 27 de Fevereiro de 2014 19:26

Professores das RESEX Terra do Meio participaram de formação em Altamira.


Na sexta-feira 21 de fevereiro, professores das Reservas Extrativistas/RESEX da Terra do Meio encerraram as atividades de formação continuada ofertada pela Faculdade de Etnodiversidade da UFPA/Campus Altamira.  Com duração de 30 horas, o curso abordou conteúdos sobre antropologia da educação, o letramento e educação do campo e o planejamento e avaliação na educação do campo.  Foi apresentado o material didático “Escola para Todos”, disponibilizado pelo Ministério da Educação às escolas rurais, que deverá ser utilizado nas salas de aula porque tem linguagens mais adequadas. Um dos destaques na formação, são os livros Educação do Campo e História do Pará (foto), considerados um importante avanço para a proposta pedagógica dos Cursos de Educação no Campo e Etnodesenvolvimento, afirma a Diretora da Faculdade, professora Dra. Raquel Lopes.

CONTEXTO

Um dos objetivos do Curso de Etnodesenvolvimento é atender os segmentos sociais que, historicamente, se encontram vulnerabilizados ou à margem do acesso à educação superior, tais como os extrativistas, quilombolas, povos indígenas, agricultores. Esta formação se insere na política educacional de inclusão, por intermédio da oferta de vagas para uma graduação diferenciada, tanto no acesso, quanto no projeto pedagógico. E também na diretriz institucional da UFPA de atendimento à vocação da região.

Além de garantir uma formação universitária, o Curso também gerou expectativas em novos segmentos, como por exemplo, as populações que moram em áreas de conservação da Terra do Meio - inseridas nas Reservas do Riozinho do Anfrísio, do Rio Iriri, do Rio Xingu – que são, na grande maioria, remanescentes do período de exploração da seringa na década de 40, conhecidos como “soldados da borracha” e que hoje buscam acesso ao conhecimento, seja para fazer frente às necessidades de gestão de seus espaços, seja para representar suas etnias em diversas organizações.

HISTÓRICO

O Curso de Etnodesenvolvimento é resultado de um processo histórico de demanda por educação superior diferenciada, uma vez que há mais de dez anos, o movimento indígena vem demandando a Universidade para a consolidação destas ações. A primeira ação concreta nesse sentido aconteceu em 2009, quando o Conselho Superior de Ensino e Pesquisa (CONSEPE) da UFPA aprovou o Projeto Pedagógico. Segundo a professora Raquel, o corpo de pesquisadores do Campus Altamira iniciou as incursões à Terra do Meio em 2008 e nas comunidades visitadas havia pessoas que, aos 50 anos de idade, não tinham registro de nascimento, carteira de identidade e não conheciam a cidade, contudo, com a criação das Unidades de Conservação surgiu a necessidade de formação, principalmente, impulsionada pela criação da normativa do Ministério do Meio Ambiente, o SNUC (Sistema Nacional de Unidades de Conservação), que requer a participação efetiva das populações tradicionais na gestão do território. E para se relacionar com o Estado, elas precisariam estar alfabetizadas.

É legalmente reconhecido o direito dessas populações a uma educação diferenciada, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e, impulsionada pelo resultado da Audiência Pública realizada em 30 de setembro de 2013, a Secretaria Municipal de Educação e as Associações de Moradores das Reservas demandaram à UFPA/Campus Altamira, a discussão com o corpo docente das escolas para a compreensão da necessidade do acesso a uma escola que possibilite a identificação das relações sociais dessas populações, respeitando seus modos de vida, inclusive com o apoio de materiais didáticos que tragam essas realidades, seja através de imagens de seu cotidiano, tais como os rios, os igarapés, a floresta, a vida no campo,  a vida nas aldeias, seja pelo enfoque pedagógico nas necessidades de aprendizagem específicas de tais populações.

 

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