Coordenação Geral do Campus Altamira


 

Coordenadora: Profª. Drª. Maria Ivonete Coutinho da Silva

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Vice-Coordenador: Prof. Msc. José Queiroz de Miranda Neto

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DISCURSO DE POSSE

11-05-2012

MAGNICO REITOR EM SEU NOME CUMPRIMENTO OS DEMAIS MEMBROS DA MESA, AUTORIDADES PRESENTES NESTE AUDITÓRIO, SENHORES E SENHORAS.

A parte o nervosismo que insiste em tomar conta da minha fala, espero que permita transmitir com clareza, a alegria e o entusiasmo que nos move neste momento tão especial, para mim, para o Campus de Altamira e, por que não dizer para região da Transamazônica e Xingu.

Assumo o cargo de coordenadora do Campus Universitário de Altamira, feliz e preocupada com o tamanho da responsabilidade, pois tenho consciência dos desafios e das perspectivas que se impõem sobre esta nova gestão, tendo em vista o contexto regional e a nova configuração deste Campus em franca expansão, cujas demandas se apresentam em fluxo continuo e urgentes.

No entanto, sinto-me extremamente honrada pela distinção que recebi da comunidade universitária – confirmada neste ato pelo Magnífico Reitor Carlos Edilson de Almeida Maneschy delegando-me a tarefa de conduzir um Campus da UFPA ( no caso o Campus de Altamira) pelos próximos quatro anos.

Conforta-me saber que, para responder a esses grandes desafios  contarei com a competência, o apoio e o equilíbrio do professor José Miranda Neto que corajosamente aceitou o convite para me acompanhar nessa caminhada, ocupando o cargo de vice-coordenação.

Conforta-me também a confiança que tenho na equipe de trabalho que se propõe a trilhar conosco esta jornada, e ainda a confiança em todos os professores, técnicos e alunos que acreditaram e defenderam a nossa proposta de gestão contribuindo para que chegássemos até aqui. A todos os nossos sinceros agradecimentos e absolutamente espero que possamos continuar juntos no decorrer dessa empreitada.                                                                                                                                                Creio ser meu dever, neste momento reafirmar meu compromisso com a nossa proposta de fazer uma gestão democrática, participativa e transparente, buscando a autonomia e a excelência acadêmica que tanto almejamos.

Tenho a compreensão de que a Universidade é uma obra de construção coletiva, cujo sucesso depende do trabalho da dedicação e do esforço conjunto. Neste sentido, ressalto a importância de todos que ajudaram a construir este Campus no decorrer destes 25 anos da UFPA em Altamira. Tenho clareza que o Campus que temos hoje é resultado do trabalho de todos que por aqui atuaram ao longo desses anos desde os coordenadores, professores, técnicos, pessoal de apoio incluindo aqueles funcionários que são cedidos de outras instituições e trabalham com afinco e compromisso público. E por aqui já passaram muitos, a eles também estendo os nossos agradecimentos.

Neste momento destaco o trabalho e a dedicação dos coordenadores que nos antecederam Profa. Lucia Taquetti, Profa. Nilceia, prof. Claudomiro Gomes, profa. Juliete, prof. Afonso e professor Rainerio Meireles que esteve a frente deste Campus por mais de oito anos. Homenageio-os com gratidão, pois como aluna deste Campus desde 1987 quando ingressei no curso de Letras da primeira turma do projeto de interiorização UFPA e depois como professora, a partir de 1993, tive a oportunidade de acompanhar o desempenho e a dedicação de cada um destes professores na construção de um Campus consolidado academicamente e promissor, considerando-se as inúmeras dificuldades que enfrentaram e tendo em vista a perspectiva de futuramente este Campus tornar-se uma universidade reconhecida pela sua produção cientifica e por função social.

Hoje somos uma comunidade com aproximadamente dois mil alunos – cursos presenciais, cursos à distancia e o PARFOR. Nosso corpo docente aproxima-se de 100 professores, com formação acadêmica notável já que mais de um terço com doutorado e a grande maioria mestres. Nosso quadro técnico-administrativo é de apenas 15 servidores, mas que trabalham com competência, zelo e espírito público. Somos, portanto, uma pequena comunidade que supera os mais variados desafios desde a localização geográfica, às exigências de responder com competência acadêmica as demandas regionais decorrentes da conjuntura atual, visivelmente em ebulição. Aqui estamos dedicados ao aprendizado, ao ensino, à pesquisa e à extensão, com a certeza de que o nosso maior desafio é se consolidar como campus de excelência, na pesquisa e pós-graduação, sendo referência no contexto local, nacional e internacional, já que os olhos do mundo estão voltados para esta região.

Neste contexto, temos ainda o premente desafio de combinar a expansão do número de vagas e de novos cursos com a manutenção e melhoria da qualidade acadêmica e científica com inclusão social. E para enfrentar estes desafios convido os três segmentos da UFPA (professores, alunos e servidores técnicos e administrativos) para um trabalho coletivo e cooperativo, dentro da premissa de que a instituição e seus objetivos são maiores e estão acima de cada um de nós. Neste momento quero reiterar minha absoluta disposição para o diálogo e meu firme compromisso com a valorização profissional.

Sabemos que na universidade a renovação é constante e o alcance do sucesso faz emergir novos desafios, cuja solução requer maior criatividade e capacidade para lidar com os problemas conforme observou o professor Maneschy ontem em sua fala no Fórum de coordenadores.

Temos o compromisso com as propostas apresentadas à comunidade universitária, quando postulamos, eu e o professor José Neto, os cargos que ora assumimos. Destaco alguns temas.

Em primeiro lugar, a busca da excelência acadêmica e a autonomia universitária pautada nos esteios de uma gestão democrática, participativa e transparente;

em segundo lugar, quero salientar a relação entre a universidade e a sociedade priorizando o fortalecimento das parcerias e o diálogo com outras instituições, considerando o compromisso social desta Instituiçao;

e em terceiro lugar, chamo a atenção para a defesa de um modelo de desenvolvimento socialmente justo e ambientalmente seguro. Observamos que a esta região encontra-se em um momento peculiar de sua história. Estamos diante de um dos mais rápidos processos de mudanças no cenário regional, com um expressivo redesenho da geografia física e humana em nome do desenvolvimento. Temos portanto, a oportunidade e a responsabilidade de contribuirmos para a construção de um modelo de desenvolvimento pautado na ética ambiental e no compromisso social.

Em ultimo lugar, insisto no compromisso de inclusão social e na defesa do ensino público, gratuito e de qualidade. A Universidade como espaço livre e democrático, e com áreas de saberes especializados precisa conviver com todas as diferenças. É preciso tratar as diferenças com compreensão e não apenas com tolerância. Há, efetivamente, a necessidade de fortalecimento das políticas de ação afirmativa. Para tanto, uma delicada operação tem que ser realizada cotidianamente: A universidade precisa integrar-se para conviver com a diversidade tão evidente nesta região, e bem configurada no Campus de Altamira.

Não posso encerrar esta fala sem mencionar minha história na UFPA, Campus de Altamira ao longo desses 25 anos. Aqui aprendi, ensinei e construi uma legião de amigos e a eles devo muito do que sou, como disse Pierre Bourdieu somos uma história incorporada. Gostaria de lembrar neste momento, in memória o professor Meirivaldo Paiva, um grande mestre, que ao concluirmos o curso de Letras, me presenteou com um livro de teoria literária dizendo que eu seria professora da UFPA dessa área, de fato como aconteceu.

Tantas outras histórias foram incorporadas no decorrer desta trajetória, as quais me ajudaram a construir a minha concepção de mundo e o meu posicionamento como sujeito neste espaço, partindo da minha formação prática, de minhas experiências de trabalho na roça desde criança e de minha formação nas comunidades eclesiais de base, nos movimentos sociais e depois na academia, incorporei a concepção de que é preciso acreditar na mudança, na organização e não se deixar abater diante dos obstáculos, buscando com objetividade e muito trabalho alcançar o resultado almejado. Por isso eu gosto muito de citar a poetisa Cora Coralina que diz: Nasci em tempo rudes, aceitei contradições lutas e perdas como lições de vida e, delas me sirvo. Superei o ódio dos poderosos amparando-me na esperança do amanhã. Assim aprendi a viver.

Deixei para falar da minha trajetória pessoal para o final por ser mais fácil e ao mesmo tempo o mais difícil. Mais fácil porque falarei com o coração e com a alma. Mais difícil porque seguramente me emocionarei.

Recordo, neste momento, na biografia de minha história e na geografia da minha alma, minha origem rural, de família numerosa, em condições materialmente difíceis, mas com absoluta solidariedade e com grande alegria. Migrantes nordestinos que vieram para a região da Transamazônica em 1972 em busca de terra para morar e trabalhar e de melhores condições de vida, conforme anunciava o projeto governamental.

Quero lembrar em especial de meu pai, in memoriam, homem simples, trabalhador, quase analfabeto, mas que não mediu esforços para educar seus filhos, na vida sofrida do sertão nordestino e depois na dura realidade da Transamazônica. Ele sempre foi o meu esteio, além da qualificação profissional que eu buscava, também foi por ele fiz o doutorado, pois sempre dizia que queria ter uma filha doutora, infelizmente, já não estava presente na minha defesa de doutorado.

Da minha trajetória da Transamazônica recordo do trabalho no campo com meus dois irmãos, da escola rural multisseriada, dos 14 km que percorria diariamente a pé para chegar até a escola, geralmente em baixo de muita chuva, saía as 5:30 da manhã para chegar no horário.  De minha saída de casa aos 13 anos para estudar e morar no convento, depois da conclusão do Ensino Fundamental em Medicilândia a 25 km da minha casa. Ia-se de carona ou no carro escolar denominado criativamente de bate-bunda, imaginem!  Lembro do meu primeiro emprego como professora aos 19 anos, numa escola mantida pela prelazia do Xingu para atender crianças de baixa renda, a maioria filhos de mãe solteira e que não tinham registros de nascimento, o que dificultava sua entrada na escola pública. Depois como professora do Estado no nível fundamental e médio

Em 1986 estava concluindo o magistério no Inst. Maria de Matias, quando se anunciava a interiorização da UFPA e o vestibular para os cursos de licenciatura em Altamira. Assim, ingressamos no curso de Letras, e aqui estão presentes muitos colegas de turma. Ressalto que a nossa turma foi a primeira a concluir e em nossa festa de formatura estavam presentes, além de nossas famílias e amigos, as autoridades do município (deputados, prefeitos, vereadores, empresários entre outros) que viam neste profissionais a perspectiva do desenvolvimento regional no âmbito da educação e social. De fato como aconteceu, daquela turma saiu profissionais para os diversos setores da sociedade, além do campo educacional que até hoje conta com a contribuição significativa desses professores.

Ressalto ainda o papel social da educação na formação de sujeitos comprometidos com a transformação social e a UFPA assume papel estratégico neste contexto, considerando o expressivo contingente de profissionais formados por este campus e que hoje ocupam papeis destacados na sociedade. Daí o que nos motiva a defesa incondicional da educação como instrumento de transformação social, de construção de sujeitos autônomos, críticos, criativos e comprometidos com a formação de uma sociedade mais justa e igualitária.

A nossa história se confunde com a história do Campus de Altamira nestes 25 anos e se encontra com a história de tantas outras pessoas que estiveram atuando neste processo histórico, lembrando algumas delas presentes neste ato: como a dona Creusa, servidora desde o Projeto Rondom, com 35 anos de dedicação, profa. Nilceia também do projeto Rodom e grande empreendedora para que se instalasse a Universidade em Altamira, minha amiga e incentivadora, Profa. Marinez tb na época secretaria de Educação do município de Altamira; Prof. Paulo Lucas, Prof. João, decanos desta Instituição, os professores Rozinaldo, Herrera, Nelivaldo, Irlanda, Ivana, Alcione, Leia, Miqueias, Anderson, os quais foram nossos alunos e hoje são professores deste Campus, além da e nossa sempre presente Rhoberta e a sua significativa contribuição neste processo. È o nosso Campus é a nossa história, por isso achei importante fazer o registro neste momento histórico em que estamos festejando a nossa posse e lembrando as bodas de prata pelos 25 anos do Campus em Altamira.

Para finalizar quero agradecer a minha família grande incentivadora de meus projetos e sonhos. Sei que torcem por mim, se alegram e se entristecem conforme o momento que estou vivenciando. Neste momento de alegria, ressalto a presença significativa de minha mãe, que como boa mãe está sempre está acompanhando as minhas jornadas, muitas vezes distante, silenciosa, em oração. Obrigada mãe! Minhas irmãs e meu irmão aqui presentes, meu cunhado, o prof. Valdelucio que sempre dizia que o circulo dessa trajetória só ia se fechar quando eu fosse coordenadora do Campus de Altamira, isto em tempos em que eu tinha outros projetos.

Por fim, agradeço ao Eduardo Modesto, meu companheiro por quase 20 anos. Ele sonha e perfilha comigo os mesmos caminhos em busca dos projetos que me proponho, enfrentando todos os obstáculos possíveis inclusive, assumindo a responsabilidade do cuidado da casa e dos filhos quando tive que me ausentar por algum tempo do país em função do doutorado. Ele sempre acreditou em mim e em meu potencial, é de fato meu grande incentivador; aos nossos filhos Artur e Heitor Modesto vocês são o esteio pessoal e emocional do meu cotidiano. Com vocês compartilharei as alegrias e as agruras da função que agora assumo.

Por tudo isso, posso dizer que sou uma privilegiada. Com humildade e sinceridade, mais uma vez meus agradecimentos aos meus familiares, meus amigos e colegas de trabalho e a muitas pessoas anônimas que me ajudaram nessa travessia. Em especial aos amigos que vieram de Belém só para assistir a minha posse, como eles e elas mesmos disseram. Estou muito feliz com a presença de vocês, muito obrigada. Aos que chegaram conosco até aqui lembro Camões: “Cheguei, chegaste, vinha fatigado, fatigado eu vinha, tinha a alma de sonhos povoada, a alma de sonhos povoada eu tinha”.

E ainda termino citando o poeta maior, Carlos Drummond de Andrade:

“tenho duas mãos e o sentimento do mundo”.

Muito obrigada.

Maria Ivonete Coutinho (Netinha).

 

 

 

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